quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ECOS DA ALMA

ECOS DA ALMA
Mavi Lamas


Me assusta
Ser portadora , ser boca
Ser a dona da palavra sem dono
Ser a dona da verdade
De tanto dono que tem

Me assusta...
A paixão que habita o imaginário
Onde as suplicas se expandem
Sem limites...

Me acalma...
Ser cópia
Ser espelho, semelhante
Ser alguém na multidão

Me assusta...
O amor que deseja ser amado
O sonho que insiste em nascer
Escrevo o amor
E a vida fica perto...
Da janela
Das pessoas,

Perto...
Das ilusões perdidas
Dos desenganos
E outros nomes...

Me consola...
Ser diferente
E sentir a alegria
De ser igual a tanta gente...

Me consola...
Depois da lágrima
A solidão da madrugada
Quando estou só
E na calma da noite
Poder escrever um poema

A noite fala por si só
Ou melhor , solfeja, semeia
E cria no silêncio
Um deserto de pedras

Depois de muitas vozes
Depois de muitas...
Depois de...
Depois...
Silêncio...
Mavi Lamas

17/10/04

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