sábado, 12 de janeiro de 2008

Solidão!

SOLIDÃO
Mavi Lamas

Existe o meu lado inteligente,
que pensa, constrói histórias,
destrói fantasmas...
Opondo-se àquele território
onde só sinto e berro,
esperneio e me espanto,
embora, ninguém saiba ou veja.

Ah! Só eu conheço os caminhos palmilhados
e, se eu dissesse , quem entenderia?
Mas, eu:
- Interessa-me que alguém venha
neste momento preciso em que grito?
Respondo-me :
- Não!

É preciso andar horas dentro de mim,
não encontrar ninguém nos corredores
por onde me afino e me estreito
até não ser mais do que uma sombra
e, igualmente...

Ninguém nos caminhos abertos ao vento
levando a estradas desconhecidas,
à sempre possível ocasião de recomeços.
E ninguém na beira dos abismos,
que só eu sei...
E, ninguém mesmo, nas praias
(numa praia deserta com chuva,
o perfume da maresia
tão forte nos cabelos...
O vento, me inserindo na paisagem)
Onde meus pés desenhariam
meus passos, na areia molhada...
Estar só e ,a partir desta solidão,
me reconstruir.
Só assim posso me apresentar aos outros.

Então direi:
- Voltei e sou assim,
a gente sempre volta...
Mas, queria voltar inteira!
Os pedaços tão colados
que nem se veriam os remendos.

E a alguns, somente, eu diria:
- Olha, aqui tem uma ferida.
E eles entenderiam e só passariam
os dedos tranquilos e tão leves por cima,
com um respeito de quem viu o indizível.
Mavi Lamas

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